segunda-feira, 27 de junho de 2016

Parque da Lagoa Sólon de Lucena, na cidade de João Pessoa

O Parque da Lagoa Sólon de Lucena, na cidade de João Pessoa, é mais conhecido por apenas, Lagoa

Lagoa da cidade João Pessoa, com as palmeiras
 imperiais em primeiro plano (06/2016)
É um dos espaços mais bonitos, e, um dos maiores símbolos da cidade, capital do estado brasileiro da Paraíba, características que fazem dele um reconhecido cartão postal. O parque é uma das três maiores áreas verdes da zona central da cidade, juntamente com o Parque Arruda Câmara e a Praça da Independência, que ficam a pouca distância.

É também uma das referências históricas, urbanísticas e culturais de João Pessoa, motivo pelo qual desde 1980 é um património da cidade protegido por lei.

Por ser um lugar central da cidade, neste espaço acontecem com frequência diversas actividades sociais e culturais.

O Parque da Lagoa é composto por uma área verde e uma lagoa no centro. A lagoa tem uma forma circular e é cercada por palmeiras imperiais. O espelho de água é rodeado de espaços verdes com grama, ipês, paus-brasil, acácias e outras árvores típicas da Mata Atlântica, que é a vegetação original de todo o litoral brasileiro. Todos os anos, entre os meses de setembro e novembro, os ipês florescem, e as suas copas frondosas ficam cobertas de lindas flores amarelas que,, ao caírem, cobrem o chão com um deslumbrante tapete de pétalas.


Para lá do anel de vegetação que rodeia toda a lagoa, já fora do parque, existem inúmeras lojas, restaurantes, shoppings, serviços e órgãos públicos que atraem diariamente a população. A pouca distância da Lagoa ainda se podem apreciar vários prédios de relevância histórica e cultural, alguns casarões antigos, igrejas e outros monumentos de interesse que são atractivos para quem visita a cidade. A sua centralidade faz da zona um local de intenso comércio. Ônibus de todos os bairros confluem para o local com um serviço ininterrupto.


Localização

O Parque da Lagoa fica no bairro Centro, a cerca de 6,5 km das praias e a 1,5 km do rio.
Vista aérea da Lagoa (2004)

Mapa parcial da cidade de João Pessoa. Destaque para o rio, a lagoa e as praias.

As origens
Até aos anos 20 do século XX o espaço era um ecossistema de terrenos alagadiços, composto de um pântano, diversa vegetação, uma lagoa formada pelas águas da chuva e diversos animais, dos quais se destacavam os irerês, uma espécie de marreco, ave aquática muito abundante naquela época na região e que escolhia este lugar para nidificar e alimentar. Em volta da lagoa existiam apenas propriedades rurais e algumas edificações afastadas. Durante a primeira metade do século XVIII o sitio da lagoa pertenceu aos jesuítas. Depois da sua expulsão, passou a ser propriedade de um comerciante português. No espaço também funcionou o "Engenho da Lagoa".

À medida que a cidade da Parahyba 1 (¹), actual João Pessoa, ía crescendo, a lagoa influenciava a sua expansão para leste, no sentido do mar, pois a oeste estava delimitada pelo rio Sanhauá, porque além de ser um obsctáculo natural, e por ser uma áreas de terrenos alagadiços e de águas paradas, eram um foco de possíveis epidemias. Só depois do saneamento gradual, durante os anos 20 e 30 do século XX, é que a população começou a ocupar essa área e a explorar o solo para fins agrícolas, mas que aos poucos foi dando lugar à cidade.
O Parque Sólon de Lucena nas décadas de 30 ou 40
Bando de irerês que ainda existiam na época

Em 1922, integradas num projecto mais amplo de criação de novos espaço públicos da então cidade da Parahyba, começaram as obras de saneamento, drenagem e paisagismo para transformar o pântano em um parque público de contemplação e de brincadeira para as crianças, segundo testemunhos. O lugar também passou a ser utilizado pelos militares para os seus treinos. Com as obras foi possível abrir espaço no matagal em redor para a construção de novos bairros, e, o consequente crescimento da cidade. Estas obras só foram concluídas no final da década de 30, do século XX. 

Um detalhe importante a destacra é que o projecto urbanístico e paisagístico do Parque Sólon de Lucena foi feito pelo famoso arquiteto e paisagista brasileiro Burle Marx,

Depois da inauguração (em 1939 ou 1940), outras obras, principalmente de manutenção, foram realizadas na Lagoa: em 1985, a recuperação e o reordenamento do espaço; em 2013, a recuperação das margens, novo calçamento e o desassoreamento do seu leito; e em 2016, em que foi realizada a maior intervenção arquitetónica e paisagística da sua quase centenária história.

Nota: (¹) João Pessoa teve vários nomes desde a sua fundação:
1585 (agosto) a 1585 (outubro) - Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, ou apenas Cidade de Nossa Senhora das Neves. Nome dado pelos portugueses na fundação da cidade.
1585 (outubro) a 1634 - Cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Nome dado pelos espanhóis em homenagem ao rei de Espanha.
1634 a 1654 - Frederikstad (em português, Cidade de Frederico ou Frederica). Nome dado pelos holandeses em homenagem ao rei holandês..
1654 a 1930 - Cidade da Parahyba. Nome dado pelos portugueses, inspirado no nome da capitania, que mais tarde deu o nome a todo o estado.
1930 até hoje - João Pessoa. Nome dado em homenagem ao político brasileiro.

Saiba mais sobre os nomes da cidade: A capital paraibana: Os seus nomes ao longo da história


Obras de 2016
Em 12 de Junho de 2016 o parque foi reinaugurado, depois de uma profunda intervenção arquitetónica e paisagística, a maior da sua história.. Os espaços verdes foram aumentados com mais plantas, e o transito, que antes circulava em um anel interno, entre a lagoa e os jardins, foi transferido para um anel externo ao parque. Com esta alteração o transito saiu de dentro do parque, passando a haver uma continuidade entre o espelho de água e o limite externo dos jardins, o que tornou o lugar muito mais bonito e agradável.
Pista para prática de esportes (06/2016)
Alé do desassoreamento do leito da lagoa, foi construido um túnel subterrâneo de 2 metros de diâmetro e 684 metros de comprimento que liga a lagoa aos dutos de drenagem já existentes na parte mais antiga da cidade de João Pessoa, que por sua vez despeja as águas no rio Sanhauá. Esta obra foi necessária para evitar o transbordo frequente das águas da lagoa na época das chuvas, e que tornavam a área envolvente à lagoa intransitável.

Foram criados novos espaços para promover os esportes e a cultura e a acessibilidade para deficientes foi melhorada. As grandes áreas gramadas são propícias para actividades ao ar livre como, a ginástica e o ioga. 

Playground para crianças com baloiços e caixas de areia, e para os mais velhos, parques com aparelhos de ginástica.

Mesas-tabuleiros para jogar xadrez e damas, várias praças com bancos de jardim à sombra de frondosas árvores, bicicletários, um deck, pedalinhos para passear na lagoa, WCs, posto de polícia.

Entre as inovações, incluem-se uma pista de cooper, bicicleta, patins e um parque radical e um paredão para fazer escalada.

O Parque da Lagoa, que já era um bom lugar para fazer caminhadas matinais e ao fim da tarde, ficou melhor e mais atractivo, atraindo centenas de pessoas para actividades fisicas.


Restaurante Cassino da Lagoa, um lugar histórico
(06/2016)
Tem uma pista em toda a volta do espelho de água, com um perímetro de 500 metros, excelente para andar de bicicleta e de patins ou skate.

Pista de cooper onde centenas de pessoas caminham durante todo o dia, mas principalmente de manhã e à tarde.

No centro da lagoa exite uma fonte luminosa iluminada com luzes multicoloridas e jatos de água. No Natal é instalada uma decoração especial que embeleza ainda mais o parque.

Foram instaladas novas escultura que se juntaram à já existente em homenagem a Ariano Suassuna e à sua obra Pedra do Reino.


As antigas barracas de comes e bebes deram lugar a modernos bares e restaurantes que dão apoio aos visitantes e às pessoas que durante o dia se deslocam ao centro da cidade para fazer compras nas dezenas de lojas que rodeiam o parque.

Um dos restaurantes mais tradicionais é o Cassino da Lagoa, um antigo casino transformado em restaurante.

Os nomes da lagoa ao longo do tempo
Até 1924 - Lagoa dos Irerês
De 1924 até 2016 - Parque Sólon de Lucena
Em 2016 - Parque da Lagoa Sólon de Lucena

Datas que marcaram a história da Lagoa
Até 1924 - Chamava-se "Lagoa dos Irerês" por causa dos irerês que frequentavam as suas águas. Ainda mantinha o ecossistema original composto de pântano, vegetação e diversos animais, de que se destacavam os marrecos irerês, ave aquática que aí se alimentava e nidificava. Existiam nas imediações da lagoa várias propriedades agrícolas, e foi durante um tempo parte de um sítio dos jesuítas franciscanos. No mesmo local funcionou um engenho, o "Engenho da Lagoa".
1924 - Passou a chamar-se, por decreto, Parque Sólon de Lucena, mas a população continuou a chamar de Lagoa.
1939 - Foi feito o calçamento dos anéis interno e externo, o saneamento das vias. O paisagismo foi projectado por Burle Marx. Durante esta obra foi instalada a fonte luminosa. Inauguração da obra.
1975 - 24 de agosto. Naufrágio no dia Dia do Soldado, aquando dos festejos dessa homenagem militar. 35 pessoas morreram afogadas quando a balsa em que estavam se afundou. A dimensão da tragédia marcou para sempre a história da cidade e do estado da Paraíba.
1980 - Foi tombado pelo IPHAEP - Instituto do Património Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, logo, protegido por lei, por ser considerado um património histórico, urbanístico, e cultural
1985 - Obras de recuperação e reordenamento.
2013 - Obras de recuperação das margens e desassoreamento..
2016 - Grande intervenção arquitetónica e paisagística. Abertura de um túnel com 684 metros para drenagem da água da chuva que fazia a lagoa transbordar todos os anos durante a época das chuvas. Desassoreamento da lagoa. Foi a maior intervenção de sempre até esta data.


Curiosidades
Área: 150.000 m²
Profundidade: 3,50 m


Distâncias
Da Lagoa às praias : 6,5 km
Da Lagoa ao rio: 1,5 km


Fotos do Parque da Lagoa Sólon de Lucena

A Lagoa de João Pessoa (2012)







domingo, 31 de janeiro de 2016

Passeio a Bananeiras cidade de clima frio da Paraíba

Bananeiras, cidade de montanha do estado da Paraíba

O clima de montanha, a natureza exuberante, as bonitas paisagens naturais, a arquitetura, o casario colorido e a feira de rua, são alguns dos atrativos que se podem encontrar na tranquila e bonita cidade de Bananeiras.

Bananeiras fica localizada na Serra da Borborema a 526 metros de altitude, na região do Brejo paraibano. O seu clima é úmido. A temperatura média no verão (setembro a abril) é de 28°C, e, de 10 °C no inverno (de maio a agosto). Bananeiras possui clima mais ameno que a média das cidades da Paraíba. Faz parte do circuito turístico da Paraíba, denominado Caminhos do Frio.

O município de Bananeiras tem uma área de 258 Km quadrados e uma população de cerca de 22.000 habitantes. A base da economia é a agricultura, o comércio e o turismo. O turismo é também uma atividade em crescimento, tendo cada vez mais importância na economia local.
Vista da cidade de Bananeiras (foto de 2008)
Um pouco de história
Bananeiras era território dos índios Janduhys. O início da colonização destas terras começou durante a primeira metade do século XVII, mas só em 16 de outubro de 1879 o município foi fundado. A região foi primeiramente produtora de cana de açúcar e depois de café. Foi este último que proporcionou o aparecimento de uma aristocracia rural que construiu muitas casas antigas que ainda se podem observar por todo o município. O surgimento de uma praga que dizimou as plantações de café fez com que o município se voltasse de novo para o cultivo da cana de açúcar, fumo (tabaco), arroz, sisal e banana.

Melhores meses para ir
Junho, julho, agosto que é quando está mais frio, mas no resto do ano também é agradável porque tudo está muito verde.

Como chegar
O trajeto escolhido foi a BR-230, PB-073 e PB-105. Indo na BR-230, no quilômetro 70,5 entra-se à direita na PB-073, onde uma placa informa Sapé / Guarabira. Depois segue-se sempre em frente passando pelas cidades de Sobrado, Sapé, Mari, Guarabira e Pirpirituba. Depois de atravessar a cidade de Pirpirituba e seguindo sempre em frente por cerca de 8,5 Km vira à esquerda, onde uma placa informa Bananeiras / Solanea / Campina Grande. Entra na estrada PB-105 e segue-se sempre em frente por 14 Km.
Mapa do trajeto de João Pessoa à cidade de Bananeiras

Onde ficar
Existem vários hotéis e pousadas muito agradáveis e de preços variados. Por experiência pessoal, o Hotel Serra Golfe é um boa opção. É um hotel novo localizado no centro de Bananeiras. Por cima da recepção tem um terraço com vista sobre parte da cidade, onde é muito agradável ficar tomando um vinho e sentir o frio noturno.

Hotel Serra Golfe

Património arquitetónico
O patrimônio arquitetônico é rico e diverso. Edificações coloniais podem ser observadas na cidade e na região rural.

Casas coloniais - São várias as casas coloniais que se podem encontrar na cidade e na região rural.
Casa estilo colonial

Correios e Telégrafos - É um a construção de 1835. Foi um dos primeiros estabelecimentos do Nordeste brasileiro a empregar o serviço do “escravo carteiro”. Assim era chamado o negro cativo encarregado de conduzir os malotes postais para diversos lugares.

Igreja de Nossa Senhora do Livramento - Foi concluída em 1 de janeiro de 1861 e a sua construção durou em torno de 20 anos.
Igreja Nossa Senhora do Livramento

Colégio das Dorotéias (Carmelo) - Foi construído em 1917. Mantém as linhas arquitetônicas originais. Educou “a elite feminina” de boa parte da Paraíba e do Nordeste, até os meados da década de 1960.
Colégio das Dorotéias

O Túnel do Trem - Construído em 1922 permitiu que a estrada de ferro chegasse a Bananeiras. A antiga estação de trens foi transformada no Hotel Pousada da Estação. Não houve modificação arquitetônica externa. O telhado da plataforma guarda o estilo arquitetônico anglo-francês,

O Cruzeiro de Roma - Construído em 1899, situa-se a 507m de altura. Deste local é possível avistar até vários quilômetros em redor.

Cachoeira do Roncador - É um lençol d’água que desaba de uma altura de 45m, do rio Bananeiras que nasce na mata da UFPB de Bananeiras. angelins, sucupiras, pau d’arcos, sapucaias e pirauás. O local é adequado para caminhadas ecológicas e a prática de camping selvagem.

Energia elétrica - Foi instalada em 1919, graças a mini-hidrelétrica construída por José Amâncio Ramalho, no distrito de Boa Vista (Borborema). Amâncio aproveitou o potencial do Salto da Boa Vista, um desnível natural do rio Canafístula, para gerar a energia elétrica que abastecia Serraria, Borborema, Bananeiras, Vila do Moreno (atual cidade de Solânea) e Pilões. O nome da empresa era Codebro.

Artesanato
O município é rico nesta área. Artesãos locais são peritos na manipulação da madeira e bambu, a exemplo de Pedro e Santo Herculano. Antonio Fernandes é o mágico construtor de rabecas, guitarras e violões. palha da bananeira, na produção de bolsas, escarcelas, pastas, caixas, cadernetas para anotações e bandejas. Os doces caseiros (de frutas variadas) são famosos na região, assim como o crochê, fuxico e bordados.

Preservações ambientais
Matas nativas do Cumbre, da Bica e Boqueirão, onde existem árvores que já foram extintas em outros redutos da Mata Atlântica. Aqui, são comuns os “olhos d’água” perenes, de boa potabilidade e até mineral. No centro da Mata da Bica é formada a “Lagoa do Encanto”. Conta-se que no início do Século XIX, a lagoa teria engolido um carreiro, os bois e o carro. Moradores antigos falam das ruínas de um cemitério de escravos, nas proximidades.

Feiras de rua
As feiras de rua são verdadeiras atrações da região. Na de Bananeiras, às sextas, o ponto alto são as comidas típicas. Mas as mais famosas ocorrem nas proximidades da cidade: em Solânea, a 3 km, nas manhãs de sábado; e no distrito de Tabuleiro, a 12 km, nas manhãs de domingo (na última, experimente a famosa buchada de bode do Seu José).
Feira de rua

Engenhos
Dois engenhos tradicionais, Rainha e Cascavel, mostram aos turistas suas instalações e explicam sobre o processo de fabricação da cachaça. Como eles ficam na área rural da cidade, em vias sem sinalização, vale passar antes pela Casa do Turista, na Praça Epitácio Pessoa, para perguntar sobre o caminho - se preferir, o lugar oferece guias para acompanhar o passeio.

Gastronomia
O festival de gastronomia, no qual os restaurantes criam pratos usando ingredientes típicos da região como a cachaça, a tilápia e, claro, a banana.

sábado, 12 de julho de 2014

Salão de Artesanato da Paraíba: Mostra de arte e cultura de um povo

A identidade cultural da Paraíba revela-se através de uma arte humana milenar: o artesanato

Quadro em couro representando
o dia a dia no campo
Artesão: Avelino - Campina Grande
O Salão de Artesanato da Paraíba é um evento temporário que se realiza em janeiro na cidade de João Pessoa, a capital do estado da Paraíba, e em junho em Campina Grande, a segunda maior cidade do estado, a 130 km da capital, no interior do estado.

Em junho de 2014 aconteceu a vigésima edição, e o tema foi "Da terra, a nossa arte", dedicada à tipologia barro. Por esse motivo os trabalhos em barro estavam em destaque.

O Salão de Artesanato faz parte duma estratégia oficial do estado para promover e comercializar o legítimo artesanato da região, acabando por melhorar a vida dos artesãos, ao mesmo tempo que dá a conhecer o rico artesanato paraibano..

Todos os anos são dezenas de milhar de visitantes, incluindo muitos turistas nacionais e estrangeiros, que aproveitam para comprar bonitas peças de artesanato, ao mesmo tempo que ficam a conhecer a cultura local.

Nesta edição de junho de 2014, vi trabalhos expostos de quase 500 artesãos, incluindo a arte indígena e quilombola (1) (2)o que mostra a abrangência do evento.

(1) Quilombola: Designação dos escravos refugiados em quilombos. Atualmente são os descendentes desses escravos originais.  (2) Quilombo: Comunidade rural formada por escravos fugidos dos engenhos de cana de açúcar no tempo da escravatura, e que viviam da agricultura de subsistência e conforme as tradições trazidas de África. Curiosidade: O quilombo do Livramento, a 460 km de João Pessoa, é o mais antigo da Paraíba, cuja fundação, por escravos fugidos do litoral do estado vizinho de Pernambuco, remonta aos finais do século XVII.

Salão de Artesanato da Paraíba. Trabalhos em barro
Área de exposição do Salão de Artesanato (esquerda)                     Trabalho em barro alusivo
 ao tema dos santos populares     
Porque vale a pena visitar o Salão?
Bom, eu sou suspeito para dar uma opinião, porque resido em João Pessoa e um das coisas que mais me fascinou na Paraíba foi a variedade do artesanato, aliás, todo o Brasil tem um artesanato muito rico e diverso. De qualquer forma aconselho a visita, porque além do artesanato também podemos apreciar a gastronomia e as danças populares.

Ao escrever estas linhas tive que pesquisar sobre a história de cada um dos tipos de artesanato, e então percebi o que significa cada um dos tipos e como eles foram importantes para a vida das pessoas ao longo de séculos, como é o caso da história da pecuária e do aproveitamento do couro.


A importância econômica e cultural

Ao concentrar em um só lugar tantos trabalhos de tantos artesãos da Paraíba, o evento atrai milhares de visitantes que acabam por comprar alguma recordação, o que melhora, consequentemente, a vida dos artesãos e comunidades que se dedicam a esta atividade.

O Salão de Artesanato revela toda a riqueza cultural da Paraíba, que se expressa no artesanato, na gastronomia, no vestuário e nos mais diversos utensílios. A exposição dos trabalhos realizados pelos artesãos/artistas do estado da Paraíba, através deste evento, é também uma forma de preservar a cultura tradicional, a valorizar as pessoas que vivem desta atividade e ajudar a fixá-las nas suas terras de origem.

Ao visitar a exposição podemos conviver com a verdadeira identidade e autenticidade da cultura paraibana, revelada através da arte popular.


Os tipos de artesanato exposto

A exposição mostra artesanato feito dos mais diversos materiais: fios, madeira, algodão colorido, cabaças, fibras, barro, cerâmica, couro, tecelagem, pedra, metal, osso, palha, cipó. Também mostra artesanato indígena, cordel, xilogravuras e gastronomia.

Com estes materiais faz-se: objetos decorativos, vestuário, calçado, brinquedos, quadros de couro, carteiras, chapéus, mobiliário, cerâmica, brincos, colares, flores e muito mais.

Os artesãos e os seus trabalhos expostos são uma seleção, ou seja, não está no Salão de Artesanato da Paraíba quem quer, mas quem realmente tem trabalhos de qualidade, o que ainda valoriza mais o evento. Com critérios tão rigorosos o visitante tem a certeza de ver o melhor e mais representativo artesanato da Paraíba. Veja algums exemplos de trabalhos que fotografei durante a minha visita:

Bonecas de pano e Escamas de peixe
As bonecas de pano são feitas no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, enquanto as bonitas flores feitas com escamas de peixe foram feitas por artesãs da cidade de Pitimbu, no litoral sul da Paraíba.

Bonecas de pano e flores de escamas de peixe Paraiba

Bonecas de pano (foto da esquerda)        -        Flores feitas com escamas de peixe, (foto da direita), são dos trabalhos que mais me impressionaram pela sua beleza, delicadeza e perfeição. Artesã: Lia Artescama - Pitimbu.

Brinquedos e outros Trabalhos em madeira
Os brinquedos fazem parte do desenvolvimento do ser humano, principalmente na fase infantil. Todas as crianças têm um brinquedo, se não for feito por adultos, ela mesma fará um de qualquer objeto que esteja ao seu alcance. Os brinquedos tradicionais, os que são feitos de materiais naturais, como a madeira, têm um forte atração sobre as crianças e adultos de agora, pois são mais raros que os feitos que os de plástico. Os artesãos paraibanos produzem diversos tipos de brinquedos que encantam todos nós.

Os trabalhos de madeira trabalhada por canivetes ou facas são muito interessantes. Eles retratam as casas tradicionais do ambiente rural.

Brinquedos tradicionais Paraíba
     Brinquedos tradicionais feitos de madeira                    As casas coloridas reproduzem a realidade

Cordel
A literatura de cordel tem esse nome porque eram expostos ao povo amarrados em cordões estendidos em lojas e mercados e também nas ruas. É uma espécie de poesia popular que é impressa e divulgada em ilustrados pela técnica de xilogravura. Foi trazida para o Brasil no século XVII pelos portugueses.

Literatura de Cordel Paraiba
Cordel - Chama-se de cordel porque é vendido pendurado num cordel, como mostra a foto

Algodão colorido
É um produto paraibano, tendo sido melhorado a partir de 1989 na região de Patos, no sertão da Paraíba. A sua cor é natural, e como não são usados corantes ou quaisquer produtos artificiais na sua produção, as roupas podem ser usadas por pessoas com alergias. O verde, o bege, marrom e vermelho são as cores que se podem encontrar em vestidos, bolsas, camisas, calçado, colares, etc.

Vestuário de algodão colorido Paraíba
O algodão colorido é um 
produto desenvolvido e produzido no
 estado da Paraíba

Osso
Depois de higienizado, recortado e polido, o osso pode ser pintado ou não. É um trabalho manual que requer muita habilidade e talento e, como resultado, saem das mãos destes artesãos/artistas as mais diversas peças de lindas bijuterias, entre outras.

Bijuteria feita de osso Paraíba
Anéis de osso pintados

Couro
O couro faz parte da cultura da Paraíba desde que surgiu a pecuária na região no período colonial e se tornou uma das atividades econômicas mais importantes no Cariri (1) e no Sertão (2) nordestinos. A figura do vaqueiro tornou-se dominante na paisagem, e, do couro do boi faziam-se tiras para amarrar a taipa das paredes das casas, móveis, vestuário, chapéus, etc. Uma curiosidade é a utilização de vestuário completo pelos vaqueiros de bota, calça, casaco e chapéu como forma de proteger o corpo dos espinhos da vegetação predominante no nordeste do Brasil, onde a Paraíba se inclui.

No artesanato em couro misturam-se as técnicas antigas e modernas na forma de trabalhar essa matéria prima. Fazem-se candeeiros, quadros, carteiras, bolsas, etc.

(1) Cariri é a denominação dada às terras onde viviam os índios kariris, no Ceará e na Paraíba, próximo à chapada do Araripe. (2) Sertão, teve a sua origem na palavra desertão, atribuída pelos primeiros colonizadores ao sentirem a diferença climática quando se afastavam do litoral.

Candeeiros e carteiras em couro artesanato da Paraiba
Candeeiros e carteiras em couro
Artesão: Avelino - Campina Grande

Crochê
A arte do crochê na Paraíba já tem mais de 150 anos e é passada de pais para filhos. Colchas, almofadas e passadeiras são feitas pelas mãos talentosas dos artesãos por todo o estado, mas a atividade concentra-se principalmente nas cidades de Areial, Pocinhos, Picuí e Alhandra.

Bordado Paraíba
Crochê
Artesã: Maria Batista - Alhandra

Cerâmica
A cerâmica é outra atividade tipica da Paraíba que toma várias formas e aspectos, ultrapassando a simples funcionalidade, para serem objetos de decoração. Os vasos feitos de barro e revestidos de mosaico de várias cores quebrado e colado nos artefatos pela artesã Marilu Dornelas, da cidade de Pitimbu, são um bom exemplo.
Cerâmica revestida de mosaico Paraíba
Cerâmica feita em mosaico, uma arte tipica da região
Artesã: Marilu Dornelas - Pitimbu

Gastronomia
No Salão de Artesanato da Paraíba também podemos provar e comprar diversas iguarias tradicionais como, mel de engenho, doces tradicionais, rapadura, licores, temperos à base de pimentões, cachaça com sabor a banana, abacaxi e outros, castanha de caju natural ou coberta de açúcar, diversos tipos de bolos, etc. A lista é bem maior. Na foto abaixo podemos ver diversos tipos de compota feitos artesanalmente.

Doces tradicionais da Paraíba
Os doces regionais

Mas se visitar o Salão de Artesanato vai encontrar muito mais atrativos sobre as tradições paraibanas: na praça de alimentação pode provar as comidas tipicas da região como, carne de sol, pamonha, macaxeira, e ainda assistir à atuação de grupos de dança tradicional.

Texto e fotos: LJCC

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O São João de Campina Grande - festa tradicional da Paraíba

O São João de Campina Grande é uma festa anual realizada no mês de junho, na cidade de Campina Grande, no interior do estado da Paraíba, Brasil. Fica a 130 km da capital João Pessoa. 

É uma das comemorações juninas mais famosas das que ocorrem por todo o o Brasil por causa da quantidade de pessoas que a visitam. Designam-se de juninas porque acontecem durante o mês de junho para comemorar os santos católicos Santo Antônio, São João e São Pedro.


O São joão de Campina Grande é uma tradição relativamente recente, pois a sua primeira edição foi em 1983. Mas desde essa data cresceu muito, sendo o seu lema "O Maior São João do Mundo". Este slogan turístico faz jus aos cerca de dois milhões de pessoas que todos os anos, ao longo dos 30 dias que duram os festejos, são atraídas à cidade inundando as suas ruas com alegria e muita diversão.

Parque do Povo

A programação é diversificada durante todo o mês e acontece um pouco por toda a cidade, não se restringindo ao Parque do Povo, onde se concentra a maior partes dos festejos e das pessoas que visitam a cidade.

Das centenas de atrações que acontecem por todo o lado pela cidade, destacam-se:


O Expresso do Forró: é  um passeio de trem que acontece nos fins de semana do evento e que faz o percurso de poucos quilômetros, desde a Estação Velha, em Campina Grande, até à localidade de Galante, na zona rural. Ao longo do trajeto os passageiros podem contemplar a bonita paisagem ao som do forró, música tradicional do Nordeste brasileiro.


O Casamento Coletivo é um dos eventos mais esperados dos festejos e é celebrado no dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro. São mais de uma centena que unem os seus laços matrimoniais em uma cerimônia conjunta e totalmente oferecida pela organização, desde o vestuário dos noivos até à boda. É celebrado no Parque do Povo e os noivos ainda têm direito à marcha junina em substituição da marcha nupcial.
Casamento Coletivo

Vila Nova da Rainha é outro interessante pra visitar. É reconstituição de uma parte da cidade de Campina Grande, na época em que ainda era uma pequena vila do interior. O visitante pode mais de uma dezena de casinhas, uma igreja, um coreto, tal como era naquela época. Aqui os visitantes podem comprar artesanato feito de matérias primas tradicionais da região, como madeira, estopa, sisal, barro, couro e tecido. No pátio das casinhas fazem-se os jogos tradicionais do pau do sebo, corridas de saco, burreata, adivinhações, corridas de jegue e da fogueira.

Sitio São João
Outra atração imperdível é o Sítio São João pela sua natureza etnográfica. É a reconstituição de um cenário rural que reproduz o cotidiano de um sitio típico antigo do interior do nordeste. Do cenário fazem parte uma igreja, bodega, uma casa com os utensílios domésticos de antigamente e que fazem o visitante recuar no tempo.

Na Cidade cenográfica pode-se ver alguns dos lugares mais simbólicos da cidade, com destaque para a Catedral de Nossa Senhora da Conceição.

As Ilhas de Forró são palhoças tipicas da zona rural com espaços reservados para dançar, sendo o lugar ideal para quem gosta de dançar a tradicional música nordestina na sua versão mais genuína conhecido por forró pé de serra. Quem quer aprender a dançar também podem participara em uma das várias ilhas espalhadas por todo o recinto.

E como festa junina não passa sem a tradicional fogueira, foi montada a Fogueira cenográfica que torna o cenário ainda mais em clima autêntico. É uma fogueira gigante com mais de 20 metros de altura.


A apresentação das Quadrilhas são outra das atrações mais populares entre os visitantes por causa da sua dinâmica muito acelerada e do multicolorido da vestimenta dos dançarinos. A Quadrilha é uma dança com tradições centenárias de origens nos colonizadores holandeses, portugueses e ingleses.

Quadrilha Junina
Mas muitas outras atrações estão ao dispor dos turistas, o que torna a estadia em Campina Grande tudo, menos entediosa, como comemorações religiosas, a eleição da rainha da festa, dezenas de bandas, a gastronomia com as suas comidas típcas, fogos de artifício, telões...

Visite Campina Grande e divirta-se. DIVIRTA-SE MUITO!

Autor:
Equipe construtora SYERRA

sábado, 24 de maio de 2014

Passeio a Areia, Cidade Histórica e de clima frio da Paraíba

Areia, uma cidade tropical de clima frio

Quem gosta de história, clima frio, natureza, e... cachaça, pode encontrar tudo isso na cidade de Areia, uma Cidade Histórica, que faz parte do patrimônio histórico do Brasil. Teve a sua origem no século XVII mas só se tornou cidade em 18 de maio de 1846. Fica localizada na microrregião do Brejo Paraibano, no topo de uma serra de 623 m de altitude. A distância entre a cidade de Areia e João Pessoa, a capital do estado da Paraíba, é de cerca de 125 km.

Areia faz parte do circuito turístico da Paraíba, denominado Caminhos do Frio.

A cidade de Areia fica assim ao cair da noite: uma neblina suave e 17 graus no termômetro.
(data da foto: maio de 2014) 
Como chegar
O trajeto escolhido foi a BR-230 e PB-079. Indo na BR-230, no quilômetro 112 entra-se à direita na PB-079, onde uma placa informa Juarez Távora / Alagoa Grande. Depois segue-se sempre em frente passando pelas cidades de Juarez Távora e Alagoa Grande. À saída de Alagoa Grande inicia-se a subida da serra até chegar à cidade de Areia.

Mapa do trajeto de João Pessoa à cidade de Areia
Mapa do trajeto de João Pessoa à cidade de Areia
A subida da serra
Saindo de Alagoa Grande, a diferença de temperatura começa-se a sentir logo que se inicia a subida da serra. À medida que se vai subindo o clima vai ficando cada vez mais frio e agradável. A estrada sinuosa é ladeada de densa floresta de Mata Atlântica e, aqui e ali, por entre a vegetação, podemos ver o vale que se estende mais abaixo. Em alguns lugares pode-se parar o carro na beira da estrada e ficar a apreciar a bela paisagem. Depois das prometidas 72 curvas anunciadas pelos areienses, (só contamos 66!) chegamos finalmente a Areia.

Memorial a Jackson do Pandeiro, famoso artista regional. Portal de entrada de Alagoa Grande, última cidade antes de Areia, que fica nas montanhas visíveis ao fundo.
Memorial a Jackson do Pandeiro, famoso artista regional.
Portal de entrada de Alagoa Grande, última cidade antes de Areia,
que fica nas montanhas visíveis ao fundo.


O clima
O clima mais frio é a primeira sensação boa que se sente ao chegar à cidade. A temperatura média é de 20 ºC, bem abaixo das temperaturas das regiões em volta. (não podemos esquecer que estamos numa latitude tropical, em que a temperatura média é de 30 graus ao longo do ano).

Portal de entrada da Cidade de Areia
Portal de entrada da Cidade de Areia

História e Cultura
Areia tem muitos atrativos que deliciam os seus visitantes: casario centenário dos séculos XVIII e XIX, igrejas, o primeiro teatro da Paraíba, inaugurado em 1859, os museus Museu do Brejo Paraibano (Museu da Rapadura), o Solar de José Rufino e o Museu de Pedro Américo e festas populares.

O teatro de Areia, o primeiro da Paraíba

Engenho centenário no Museu da Rapadura
Engenho centenário no Museu da Rapadura

Solar de José Rufino

Rua principal de Areia com o casario centenário
Rua principal de Areia com o casario centenário

Loja de artesanato em Areia. Bonita por fora e por dentro, com muito artesanato feito por artesãos da região.
Loja de artesanato em Areia. Bonita por fora e por dentro,
com muito artesanato feito por artesãos da região.


Os engenhos
A região é uma grande produtora de aguardente de cana, ou cachaça, como é mais conhecida. Grande produtora de cana de açúcar, a região abriga hoje 28 engenhos em funcionamento, alguns deles abertos a visitantes e onde se pode comprar e saborear produtos derivados da cana como, a cachaça com diversos abores, sorvetes de cachaça, doces, rapadura, etc.

Um dos grandes atrativos para quem visita Areia é a visita aos engenhos e fazer provas da cachaça com os mais diversos sabores como, coco e banana. Mas o mais interessante é fazer uma das visitas guiados pelos engenhos que mostram como se faz a transformação da cana do açúcar em cachaça. Também se pode ver como se faz a rapadura, um tipo de açúcar sólido.

Foto da esquerda: Engenho Volúpia      Foto da direita: Engenho Triunfo

Prova de cachaça (esquerda) e loja (direita) no engenho Volúpia

Patrimônio Natural
Um visita ao parque natural Pau de Ferro, que preserva um pouco da Mata Atlântica que cobria a região. É conhecido por ser abrigo a uma grande variedade de aves.

Trilhas ecológicas
No engenho Volúpia é possível escolher uma das várias trilhas abertas para os aventureiros.

Gastronomia
São vários os bares e restaurantes espalhados pela cidade. Mas para quem prefere saborear a gastronomia típica da região existem alguns restaurantes muito bons. (Basta perguntar na recepção dos hotéis e pousadas que eles informam). Depois da refeição pode-se degustar à sobremesa um dos doces tradicionais de banana e cajú, entre outros, e comprar alguns para levar para casa como recordação.

Prato tradicional: queijo de coalho assado, cuscuz, carne de sol e ovo frito
Prato tradicional: queijo de coalho assado, cuscuz, carne de sol e ovo frito

Onde ficar
A pousada Villa Real fica instalada num antigo seminário. As adaptações necessárias resultaram num lugar muito bonito, decorado com muito gosto, utilizando materiais, móveis e acessórios ligados às tradições da região. O restaurante da pousada tem um vista panorâmica privilegiada sobre a paisagem em redor, o que, ao tomar o café da manhã, nos faz logo sentir o quanto é bom estar em Areia.

Vista panorâmica do restaurante da pousada Villa Real
Vista panorâmica do restaurante da pousada Villa Real

Redário no pátio interior da pousada Villa Real
Redário no pátio interior da pousada Villa Real

Autor: LJCC